28/07/2021 _O Ibope acabou
O Ibope acabou

A primeira empresa brasileira independente de pesquisa de mercado, fundada no Rio de Janeiro em 1942, pela família Montenegro, deixou de existir como marca. Só para se ter uma ideia da importância, o IBOPE foi uma empresa genuinamente brasileira que atuava em 14 países, fazendo pesquisas de mercado, audiência, produtos, marcas e política.


Na década de 1960, o IBOPE fazia pesquisas de audiência pelo método tradicional, com entrevistadores batendo de porta em porta, preenchendo manualmente os questionários. Na mesma época, um publicitário de São Paulo desenvolveu um aparelho que era instalado no seletor de canais das TVs antigas (seletor de botão que girava para selecionar o canal). 


Este aparelho ia perfurando a fita de papel (recurso muito usado na computação da época), registrando a hora e o canal em que a TV estava ligada. Depois, essas fitas eram lidas e consolidadas em computador de grande porte. O publicitário-inventor em questão, se associou ao IPOM (Instituto de Pesquisas de Opinião e Mercado), onde criaram a AudiTV, a primeira empresa de pesquisa de audiência usando tecnologia da informação.


Foi uma revolução que abalou as estruturas do mercado da propaganda e do IBOPE. Resumo da história: o Ibope comprou o IPOM, a Audi Vendas e a AudiTV.


A marca IBOPE tinha tamanha penetração, que acabou virando gíria e sinônimo para pesquisa de mercado, audiência e prestígio, por exemplo: “Aquele cara não dá ibope com as garotas”.

Porém, o sonho tinha que acabar. O IBOPE começou a incomodar as grandes multinacionais da pesquisa e em 2014 foi comprado pelo grupo inglês Kantar (do grupo WPP de publicidade e propaganda). Em 2015, foi dividido em duas empresas: a Kantar IBOPE Media, que faz as pesquisas de audiência de TV, e o IBOPE Inteligência, que fazia os demais tipos de pesquisas, inclusive as eleitorais.


No último mês de janeiro, o contrato de licenciamento de uso da marca IBOPE com a família Montenegro venceu e a marca só poderia ser usada pelo Grupo Kantar.


Entretanto, as tão esperadas pesquisas eleitorais e de opinião, não poderiam deixar de serem feitas com os mesmos critérios de seriedade e responsabilidade. Claro que o Datafolha e outras empresas de pesquisas trabalham com muita seriedade e responsabilidade, afinal todas estão sujeitas a um rigoroso Código de Ética, mas não é a mesma coisa.


Então, para manter as pesquisas, os antigos dirigentes do IBOPE Inteligência se associaram à família Montenegro e fundaram o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), que estreou na Globo, mostrando os resultados da sua primeira pesquisa de intenção de votos no último dia 25/06.


A nova empresa conta com a maioria dos talentos que prestavam seus serviços ao IBOPE Inteligência, garantindo a continuidade e a qualidade das pesquisas feitas pelo Ipec.


Com certeza o IBOPE vai deixar um sentimento de saudade entre os publicitários e as pessoas que acompanhavam os resultados de suas pesquisas, mas a saudade será apenas pela marca IBOPE, já que os profissionais do Ipec continuarão a nos dar informações importantes, ou simplesmente interessantes, e totalmente confiáveis.

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