14/03/2018 _A tecnologia pode quebrar o seu negócio
A tecnologia pode quebrar o seu negócio

Um bom exemplo deste fenômeno é o “case” da Kodak. Há uns poucos anos a Eastman Kodak era uma gigante, a maior fabricante de insumos fotográficos. Tinha um R&D fantástico, que pesquisava e desenvolvia produtos e materiais de ponta. Eram quase 150 mil funcionários espalhados por todo o mundo!

Em 1975, lançou as primeiras câmeras fotográficas digitais, mas o seu resultado não agradou ao público, mas mesmo assim continuou focada em fotos analógicas. Enquanto isto, seus concorrentes (principalmente a Sony) continuaram investindo em tecnologia digital, lançando versões de câmeras mais eficientes. Mesmo não apresentando resultados muito satisfatórios, apresentaram evolução no mercado. Porém, para infelicidade da empresa, os executivos da Kodak não viram esta ação da concorrência como uma ameaça ao negócio. 

FALÊNCIA NUM CLIC

Na década de 1990 eu era fornecedor de pesquisa de mercado para a Kodak brasileira e para a Kodak de Miami (USA) e pude acompanhar um pouco a luta da empresa para sobreviver aos tempos “digitais”.  Entretanto, a empresa continuava investindo em fotos analógicas.

Em 2012,  a empresa sucumbiu quando foi pedida sua falência, depois transformada em recuperação judicial. O resultado?  Atualmente, a Kodak tem aproximadamente 7 mil empregados em diversos países. Dos 200 edifícios que tinha sobraram apenas 61. Isto graças as cerca de 5 mil patentes vendidas a empresas como Microsoft, Google, Apple.

Apesar de continuar se dedicando à fotografia (lançou no ano passado a câmera Printomatic, que fotografa e imprime na hora com boa qualidade), tem se dedicado a diversos outros mercados como produtos e materiais para a saúde. Tem, inclusive, sua própria bitcoin, que no lançamento valorizou as ações da empresa em 100%. 

A Kodak não é a única vítima da evolução tecnológica. Outros gigantes como a Blockbuster, Atari, Xerox, Blackberry e muitas outras podem não ter quebrado, mas não são mais as gigantes que eram.

E O SEU NEGÓCIO, TEM ALGUMA AMEAÇA TECNOLÓGICA?

Atualmente, a maioria dos diretores de arte de agências de propaganda não fazem a mínima ideia de como eram feitos os layouts e as artes finais na década de 1990. Naquela época, eram necessários materiais como, prancheta, papel cartão, réguas, tira linhas, tinta nanquim, guache, fotos com retoque americano, fotocomposição do texto, cola de sapateiro, papel vegetal e uma infinidade de outros itens. 

Além disto tudo, o resultado final (que muitas vezes levava dias para ficar pronto) tinha que ser apresentado pessoalmente ao cliente. Diferente das empresas citadas acima, as agências de propaganda acompanharam a evolução da tecnologia e foram comprando computadores e sistemas como o Page Maker, Corel Draw, Photoshop e outros sistemas mais atuais. No começo as próprias agências bancaram o treinamento de seus diretores de arte. Agora, praticamente não existem artes finais que levam mais de dois ou três dias para ficarem prontas e a aprovação é via Internet, o atendimento não precisa ir até o cliente só para isto. Portanto, por enquanto, para este ramo de negócio a tecnologia não foi e nem é uma ameaça.

Muitos ramos de atividade deixaram de existir com o desenvolvimento da tecnologia: as clicherias, as fotolitografias, as indústrias de projetores de cinema (que usavam filmes), os fabricantes de mimeógrafos e muitas dezenas de outros tipos de negócio.

Você está prestando atenção ao que a tecnologia pode fazer pela sua empresa? Ela poderá te dar uma ajuda importante, como no caso das agências de propaganda, ou poderá também acabar com a sua empresa, como o que quase aconteceu com a Kodak, se você não tomar as decisões corretas agora, neste momento. Fique atento!



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