10/05/2018 _Porque a propaganda brasileira gosta tanto de humor?
Porque a propaganda brasileira gosta tanto de humor?

Geralmente o brasileiro é visto como um humorista natural, mas, a verdade é como dizem os humoristas: “É muito mais fácil fazer chorar do que fazer rir”. E fazer humor e vender alguma marca ou produto sem melindrar as hordas do “politicamente correto” sem causar prejuízos de imagem é uma arte ainda mais difícil. 

Nós entendemos o humor como um fato, texto, imagem que nos faça rir, porém podemos fazer humor apenas deixando as pessoas mais felizes, mais descontraídas. Lembro bem de um comercial da Brastemp baseado nos ascensoristas do Mappin, que informavam os produtos de cada andar da loja. O filme da geladeira Brastemp, mostrava o refrigerador de porta aberta com a imagem focada no congelador com a locução: “Gelo e sorvetes”.  A câmera descia para a primeira prateleira e o locutor dizia algo como: “Leite, água e frios” e, assim prosseguia até chegar na última prateleira/gaveta, com o locutor dizendo frutas, verduras e legumes. Não era uma piada engraçada, mas, um comercial muito divertido.

Em outras situações são usados personagens cômicos como o baixinho da Kaiser e a tartaruguinha da Brahma, o Ted Tigre, da Tigre Tubos e Conexões que fizeram história na propaganda brasileira.

Vira e mexe temos um comercial, um spot ou um anúncio bem engraçado, mais recentemente temos as campanhas das sandálias Havaianas e as da rede de postos Ipiranga, esta última eu julgo extremamente simples e inteligente.

Na copa do mundo de 1978 surgiu a primeira campanha da Bombril, usando o ator Carlos Moreno. Era um comercial sobre o detergente Limpol, que na época tinha uma versão com aroma limão e o líquido na cor verde e a versão neutro em amarelo, aproveitando o interesse na copa do mundo, em um determinado ponto do comercial o ator dizia que o Limpol era verdinho ou amarelinho, numa alusão às cores da bandeira brasileira.

Bom, poderíamos ficar aqui redigindo laudas e mais laudas sobre campanhas de propaganda que usaram o humor para o convencimento dos consumidores, porém mais importante que os exemplos (que podem ser pesquisados na Internet), é o entendimento sobre o uso deste recurso na propaganda.

Por mais de 20 anos fui sócio de uma empresa de pesquisa de mercado, a PPM Research,  que tinha no seu portfólio um estudo regular chamado TDA (sigla para the dqy after), pesquisa que avaliava a lembrança de comerciais de TV após uma única veiculação. Embora não disponha mais de dados exatos, lembro muito bem de que os melhores índices de “recall” eram obtidos por comerciais que exploravam o humor de uma forma inteligente e não agressiva. Como exemplo posso citar os comerciais do “baixinho da Brahma” e do “garoto da Bombril”.

Evidentemente que este tipo de recurso exige muito cuidado, principalmente com o público-alvo. Para demonstrar isto, cito um comercial de TV para os cigarros Benson (quando ainda era permitido anunciar cigarros na TV) que tinha uma única frase: “Dinheiro não trás felicidade...  manda buscar”. Como se tratava do cigarro mais caro na época, o filme era dirigido ao público da classe A. Já os comerciais dos postos Ipiranga são dirigidos a praticamente todas as classes e por isto são engraçados, mas, não são apelativos.

Se possível, na sua próxima criação use o humor, mas com muito bom senso, lembre-se das hordas do “politicamente correto”. 


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