21/01/2019 _Marketing às avessas ou marketing safado
Marketing às avessas ou marketing safado

Dia desses pela manhã vi no jornal Bom Dia Brasil uma matéria sobre os cigarros eletrônicos e fiquei com uma dúvida: se não existem estudos e pesquisas que comprovem que o produto realmente faz mal à saúde e nem que seja melhor ou pior que os cigarros de tabaco, por que tanta proibição e estardalhaço?

Pensando nisto, lembrei de um estudo de caso quando ainda estava na faculdade. Trata-se do case do ciclamato, um adoçante natural descoberto por pesquisadores americanos, o que praticamente iniciou a cultura de substituição do açúcar pelas pessoas que querem emagrecer ou preocupadas com sua própria saúde. Quando este adoçante já dominava o mercado, cientistas japoneses conseguiram sintetizar o produto e com preços significativamente menores. 

Logo que o ciclamato japonês chegou ao mercado, pesquisadores americanos publicaram estudos que comprovavam que o produto (tanto o natural como o sintetizado) era altamente cancerígeno. No nosso trabalho para a faculdade o meu grupo concluiu que provavelmente os americanos haviam “puxado o tapete dos japoneses”. Pouco mais de 20 anos depois, vi que estávamos certos, já que ficou comprovado que o ciclamato não é cancerígeno, sendo vendido livremente em praticamente todos os países do mundo.

POLÊMICAS DO AÇÚCAR E CIGARRO

Se pesquisarmos um pouco, iremos encontrar muitos e muitos casos de “marketing sem caráter”, onde uma pequena empresa lança um produto inovador, bem melhor e às vezes mais barato que seus concorrentes. As grandes corporações ou compram o negócio e, se não conseguem, começam a usar todos os recursos (principalmente os desonestos) para acabar com o concorrente.

Até poucos anos atrás quando a Chocolates Garoto ainda não tinha sito comprada pela Nestlé, seus chocolates eram considerados os melhores produzidos no Brasil. O que a Nestlé fez? Comprou a Garoto, com aprovação do CADE. A partir daí a qualidade dos produtos da Garoto começou a cair. Ainda ontem tive o desprazer de comer um bombom Serenata que eu gostava muito e achei uma porcaria cuja qualidade nem chega perto do que já foi. Afinal, a marca Garoto não paga royalties à matriz suíça e mantém a Nestlé como fabricante do melhor chocolate brasileiro.

Voltando aos cigarros eletrônicos (não quero defender sua venda e nem o seu uso), tenho quase certeza de que os fabricantes de cigarros de tabaco estão utilizando todos os recursos ao seu alcance para pressionar as autoridades de saúde do mundo todo para decretarem a proibição dos cigarros eletrônicos que, seguramente, estão roubando os consumidores de cigarros de tabaco. De onze amigos que fumavam cigarros, nove aderiram ao eletrônico e abandonaram completamente o cigarro de tabaco. Claro que estes valores não servem de base para serem projetados para a população, mas, são indicadores do impacto que os eletrônicos estão causando nas vendas dos cigarros comuns. Considere ainda que os cigarros eletrônicos custam muito caro (em média R$ 300,00), o que dificulta sua aquisição pelos fumantes de baixa renda.

Se não existem estudos comprovando que estes produtos fazem ou não mal à saúde, só posso acreditar que tem muita gente da saúde, de muitos países, levando polpudas mesadas pagas pelas fabricantes de cigarros de tabaco, para proibir o uso e a venda dos eletrônicos.

Aí quero fazer uma outra pergunta: por que os fabricantes de cigarros comuns não patrocinam esses estudos e pesquisas? Provavelmente é porque sabem que os malefícios dos cigarros eletrônicos sejam substancialmente menores que os causados pelos cigarros de tabaco.

Leitores, tudo o que falei sobre os cigarros eletrônicos são conclusões minhas, até que se façam as benditas pesquisas a minha sugestão é para não usarem nenhum dos dois tipos de cigarros.

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