08/03/2019 _Morte, doença, devastação: como vender temas espinhosos na publicidade
Morte, doença, devastação: como vender temas espinhosos na publicidade

Alguns segmentos e temas são bastante delicados para fazer marketing. Imagine definir estratégias para mercados como cemitérios e crematórios ou elaborar campanhas publicitárias sobre tratamentos oncológicos, campanhas de combate à violência sexual e outros temas educativos. São assuntos que impactam o público pela emoção e devem ser muito bem conduzidos, já que não se sabe a reação que as pessoas terão.

Atualmente, o que vemos são planos de saúde sendo vendidos como se fossem geladeiras ou seguros de vida sendo comercializados como prêmios de loteria. Ou seja, sem levar em consideração a situação pela qual está passando um possível cliente. Se por acaso você acha que esse caminho está certo, é hora de discutirmos o assunto. Separamos alguns bons exemplos de como é possível abordar esses temas delicados com muita sensibilidade em respeito ao público-alvo.

01 – O SUJISMUNDO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Na década de 1970, o Ministério da Saúde tinha um sério problema a resolver. Tratava-se da disseminação de doenças comuns, como a gripe. Por meio de pesquisas, descobriu-se que os hábitos de higiene dos brasileiros das classes menos favorecidas eram um fator que contribuía para esta disseminação.

O publicitário Ruy Perotti criou um personagem chamado Sujismundo que ganhou a simpatia do público, porque o personagem passava a mensagem que devia sem ofender ninguém. A campanha saiu do ar no final de 1972, sendo repaginada em 1978. Até hoje muitas pessoas usam o termo sujismundo como sinônimo de porcalhão.

ASSISTA AO VÍDEO

02 – CAMPANHA DE PRESERVAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA

Todos sabem como as pessoas precisam da madeira no dia a dia, seja como combustível (lenha) ou como matéria-prima para a produção de móveis e demais utensílios. Ao mesmo tempo, temos consciência de como é essencial a preservação das florestas.

Então, como convencer as pessoas que precisam desta madeira do quanto o corte é prejudicial à natureza? A solução encontrada pela agência da Fundação SOS Mata Atlântica foi brilhante.

Vamos descrever o material já que não conseguimos achá-lo no Youtube.

Um filme para TV mostrava em primeiro plano o tronco de uma árvore no meio da floresta. Ao fundo, apenas o som de uma motosserra. Depois de alguns segundos a árvore começa a sangrar. O material ficou tão impactante que praticamente dispensou locução. Com toda a certeza esta campanha fez muita gente pensar bastante antes de cortar ou derrubar uma árvore.

03 – A MORTE PODE SER "DIVERTIDA"

O Cemitério Jardim da Ressurreição, localizado em Teresina, no Piauí, tornou-se um case nacional depois de usar uma comunicação divertidamente ácida no Facebook. Eles já ganharam, inclusive, o grand prix no primeiro prêmio do Social Media Week SP. Segundo a agência, é um limite tênue gerar conteúdo mórbido, mas não bizarro. E parece que vem dando bastante certo: a página já conta com mais de 48 mil fãs com aumento de 56% nas vendas de jazigo.

SENSIBILIDADE ACIMA DE TUDO

Seja qual for o tema, com uma boa dose de sensibilidade qualquer campanha pode ser bem trabalhada para ser melhor assimilada pelo público. Afinal, o que interessa é impactar, informar e vender.

Voltar