21/05/2019 _Casos curiosos em viagens a trabalho
Casos curiosos em viagens a trabalho

Na maioria das vezes que viajamos a trabalho, ocorrem fatos que nos chamam a atenção. Alguns são curiosos, outros engraçados e outros nos causam uma certa vergonha dos seres humanos. Dos fatos que falarei a seguir, alguns aconteceram comigo, outros ouvi relatos de amigos ou de pessoas da minha equipe.

01 - Regionalismos

Certa vez, estava fazendo pesquisa com caminhoneiros em um posto fiscal da BR 116, na grande Porto Alegre, um lugar longe de tudo. Na minha pouca experiência, não levei lanche e nem água e lá pelas 14 horas a fome e a sede começaram a interferir na minha produção. Fiquei sabendo que próximo dali havia um posto de combustível que tinha uma lanchonete. Peguei carona com um entrevistado e fui até lá. Sentei-me encostado no balcão e observei que ao meu lado tinha uma pessoa comendo um delicioso misto quente e tomando um pingado (copo de leite com café). Logo o balconista veio me atender e não tive dúvida em fazer o pedido: - Quero um misto quente e um pingado. Para minha surpresa, o atendente disse que não tinha nenhum dos dois, então mostrei a pessoa ao lado comendo e disse que queria exatamente igual, foi aí que descobri: misto quente era chamado de torrada americana pelos gaúchos e pingado chamavam de taça.

02 – Educação ou falta dela

Depois de alguns dias trabalhando em Belém, fizemos amizade com o pessoal do hotel. Foi então que num começo de noite, fui para o restaurante do local. Apesar do calor, naquele dia a entrada era uma sopa. O garçom trouxe o meu prato e perguntei se tinha pão (paulista tem mania de comer pão em qualquer refeição) e ele confirmou. Logo em seguida, ouvi o garçom me chamando e fiquei surpreso quando o olhei do outro lado do salão me avisando para segurar o pão e arremessando o alimento na minha direção. Por sorte consegui pegar o pão no ar. Já imaginou?

03 – Indignação

No final de 1994, a minha empresa foi contratada pela IDC (maior empresa do mundo de pesquisas de mercado sobre tecnologia) para fazer uma pesquisa com os presidentes das operadoras de telefonia. Como eram entrevistas com os principais executivos, decidi que eu mesmo as faria. A entrevista com o presidente da Telepar foi marcada para a manhã do dia 23 de dezembro. Cheguei à Curitiba na véspera da entrevista e no dia e horário marcados eu estava na Telepar.

Na viagem de retorno à São Paulo pela estrada, seguia uma carreta da Sadia a uns 500 metros à minha frente. De repente, vi o caminhão sair da estrada e cair em um pequeno barranco. Assustado, acho que demorei mais que o normal para chegar ao ponto do acidente. Mesmo assim, fui o primeiro a parar para ajudar o motorista. Quando desci do carro e me aproximei do barranco, percebi umas 20 ou 30 pessoas abrindo o baú para saquear a carga. Vi que o motorista estava tendo dificuldade para sair do caminhão, mas felizmente ele só teve pequenas escoriações. 

Subi na cabine e o ajudei a sair. Neste pouco espaço de tempo já haviam pelo menos umas cem pessoas saqueando a carga. Muitas delas colocando o produto do roubo em carros estacionados no acostamento. Quando a Polícia Rodoviária Federal instantes depois, já não havia praticamente nada no caminhão. Indignado ainda hoje eu pergunto: que tipo de gente é esta que ao invés de ajudar o motorista foi ali só para roubar a carga?

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