21/08/2019 _Chute no saco!
Chute no saco!

Não se trata de nenhuma grosseria da minha parte. Vou contar a história curiosa de uma grande amiga, a qual irei chamar de Dalva (este não é o nome verdadeiro dela).

O casamento de Dalva já vinha em crise há algum tempo, mas o que já é ruim pode piorar ainda mais. O marido dela (vou chamá-lo de Gianni) é um importante comerciante e industrial da moda, numa cidade do interior de São Paulo. Como todo empreendedor neste nosso país, tinha períodos de grande volume de negócios e outros de dificuldades pesadas. Numa tentativa de amenizar esses períodos de baixas, o Gianni começou a investir em outros negócios. Lembra que eu disse que o que é ruim pode piorar? Foi exatamente o que aconteceu com ele.

Nesta mesma época, Dalva decidiu se divorciar do Gianni, porém esta decisão veio um pouquinho tarde. O Gianni já estava com as contas e bens bloqueados pela justiça. Como eram casados com comunhão de bens, tudo o que a Dalva pensava que tinha, estava bloqueado e inclusive ela tinha responsabilidade sobre as dívidas do Gianni.

Ela conseguiu sacar todo o dinheiro que tinha em suas contas, o que dava por volta de R$ 6.000,00. Para sorte dela, no acordo de divorcio o Gianni se responsabilizou pelas dívidas e dividiu os bens de acordo com a lei. Só que a parte dos bens que caberia à Dalva também estava bloqueada, até o carro que ela usava e que estava em nome da empresa tinha um mandado de busca e apreensão. Por orientação do advogado, ela resolveu devolver o automóvel ao banco.

Tudo o que restou disponível eram os R$ 6.000,00, que ela tinha conseguido sacar de suas contas. Com todo este dinheiro (???) ela resolveu ir para Roraima onde morava sua tia e lá começar uma nova vida. E lá foi ela do interior de São Paulo para Roraima de ônibus.

Mas, entre outras preocupações, ela não sabia como transportar toda sua fortuna (?) numa viagem tão longa e com várias baldeações. Decidiu então, colocar todo seu dinheiro dentro de um travesseiro, pensando que, mesmo que um dos ônibus fosse assaltado, com certeza os bandidos não iriam querer levar seu travesseiro (achei a ideia interessante).

Durante o primeiro trecho da viagem, o ônibus parou para um lanche dos passageiros. Toda segura de si a Dalva jogou o travesseiro na poltrona quando desembarcou. Porém não percebeu que o travesseiro caiu no chão do veículo. Lanchou rápido e foi uma das primeiras a retornar ao ônibus. Foi quando levou um tremendo susto quando viu que o travesseiro e seu dinheiro não estavam sobre a poltrona. Muito assustada começou a procurar seu cofre portátil e acabou encontrando-o no chão.

Num saco plástico ela levava seu par de chinelos e uma blusa de lã, para uso durante a viagem. Ficou pensando no susto que levou e decidiu passar o dinheiro do travesseiro para o saco dos chinelos, depois de enrolar na blusa de lã. Amarrou bem o saco plástico e o colocou no chão ao lado de sua poltrona.

Em uma das baldeações, na poltrona ao lado sentou um garoto de uns cinco ou seis anos de idade. Na parada para o almoço, Dalva desceu e foi almoçar tranquilamente, depois ficou ao lado do ônibus para fumar um cigarro, quando percebeu que o garoto estava jogando bola dentro do ônibus, ela não se importou já que não levava nada que pudesse quebrar. A Dalva foi uma das últimas a entrar no ônibus, quando se deparou com o garotinho jogando bola com o saco dos chinelos e do dinheiro. A reação da Dalva chamou a atenção de todos os passageiros e causou muitas gargalhadas, ela gritou para todos ouvirem:

- “Garoto, pare de chutar o meu saco!”

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