24/04/2020 _Anglicismo
Anglicismo

Não entendo certas pessoas que vivem falando termos em inglês, mesmo quando eles têm tradução. Penso que no fundo elas sejam subservientes, sem terem consciência disso, assim ficam parecendo colonos de países que têm o inglês como língua mãe.

Sei da necessidade e importância de se ter conhecimento a respeito da língua inglesa, afinal é através dela que são feitos os acordos diplomáticos, as negociações comerciais e muitas outras coisas, mesmo entre países que não têm o inglês como língua pátria.

Acredito que a Internet e o computador pessoal tenham a maior parcela de culpa deste hábito que considero ridículo. Hoje as pessoas não dizem mais a palavra “apagar”, normalmente dizem “deletar” que não é português nem inglês, trata-se de uma adaptação da palavra inglesa “delete” que significa “excluir”. Outro exemplo muito comum é o “e-mail”, que em inglês significa “envio eletrônico” e todos nós entendemos e-mail como uma correspondência por computador ou por “smartphone”. Aliás, “smartphone” cuja tradução correta seria “telefone inteligente”. Nesta mesma linha temos ainda as “smart tv” ou tv inteligente.

Entretanto o mais grave não está nisto. Hoje os presidentes de empresas são chamados de CEO (pronuncia-se ciou) sigla para “chief executive officer”, que nada mais é do que diretor executivo. No Brasil usamos a palavra executivo para definir gerentes e diretores de empresas, onde estão incluídos os presidentes. Só uma perguntinha: para que essa frescura de CEO? Não sei, mas acho que é um reconhecimento do nosso colonialismo.

Digital é uma palavra que tem a mesma grafia em português e em inglês, sendo que em nossa língua a sílaba tônica está no “tal”, enquanto no inglês está no “di”. Mesmo em palavras com a mesma grafia as pessoas preferem usar a pronúncia inglesa, exemplo: "digital marketing” ao invés de dizerem “marketing digital”. Observem que utilizei a palavra “marketing”, apenas porque ela não tem tradução para o português, da mesma forma que a palavra portuguesa “saudade” não tem tradução para o inglês.

Outro dia, no intervalo de uma palestra, vi duas pessoas falando sobre embalagens de produtos e era um tal de ”label” para cá e “packaging” para lá, que foi me deixando um tanto irritado e fiquei pensando: por que será que esses colonos não falam em rótulos e embalagens? Ou será que na cabeça deles “label” e “packaging” são rótulos e embalagem muito melhores? Na verdade, aqueles dois colonos estavam mesmo era querendo aparecer.

Claro que muitas palavras inglesas foram incorporadas ao português. Exemplos que já mencionei aqui: marketing e delete, entre dezenas de outros. Isso me fez lembrar a onda do gerundismo, que foi originado de manuais de telemarketing mal traduzidos do inglês. Traduções mal feitas trazem outros problemas. Por exemplo: pesquisa de mercado em inglês é “market research”, traduzido muitas vezes como pesquisa de marketing. Só rindo mesmo.

É evidente que num ambiente de uma multinacional o mais comum seria as pessoas usarem termos e pronúncias ingleses, mas no nosso dia a dia eu não concordo. Os “anglo maníacos” me desculpem, mas vocês não parecem mais inteligentes ou importantes por ficarem usando termos em inglês o tempo todo. Na verdade se parecem mais com os habitantes de colônias inglesas ou americanas. Me perdoem, vocês não parecem mais “smarts”, parecem muito mais com “settlers”.

Tenho a consciência de que não será este artigo que irá mudar as pessoas, mas me senti na obrigação de dar o “start”, e com isso espero que alguém mais se dê ao trabalho de alertar aos anglo maníacos de que não somos uma colônia britânica ou americana.

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