22/07/2020 _Lições de quarentena
Lições de quarentena

Se fosse me basear no que aconteceu no começo do século passado, durante a pandemia de gripe espanhola, poderia dizer que esta nova não irá nos ensinar nada.

Mas, ainda acredito no ser humano e espero muito aprendizado, por exemplo: solidariedade. O brasileiro de um modo geral sempre foi solidário, mas tenho esperança que esta solidariedade que estamos vivendo permaneça e cresça em intensidade.

Uma coisa que muito me incomoda é o número de irresponsáveis que insistem em andar sem máscara. Chegando ao absurdo ocorrido no Paraná, onde um empresário tentou entrar à força em um supermercado, agrediu o funcionário que controlava o acesso das pessoas e ainda causou a morte de outra funcionária. Quanta irresponsabilidade e ignorância. Pessoas como este homem não têm o mínimo respeito pela própria vida e, o pior, pela vida das demais pessoas que por uma infelicidade qualquer possam cruzar com ele.

Por outro lado, tenho observado muitas coisas positivas. Como estou no grupo de risco, alguns de meus vizinhos vieram se oferecer para fazer compras ou atender outras necessidades que eu tivesse. Não são meus amigos, apenas pessoas com quem cruzo nos corredores do prédio e trocamos cumprimentos.

Tenho certeza de que a maioria dos pais de estudantes, principalmente do ensino fundamental, passaram a admirar e respeitar muito mais os professores. Estes, fora da pandemia, são tão heróis quanto o pessoal da saúde está sendo para garantir a nossa saúde e sobrevivência. Imagine uma família com quatro ou cinco crianças nesta faixa de idade. Com certeza os pais estão se vendo em um mato sem cachorro. Por outro lado, esta convivência, que pode ser muito complicada em algumas situações, certamente vai contribuir muito na formação do caráter dessas crianças. Também será um gigantesco aprendizado para os pais.

Outro ponto interessante é que esta pandemia mostrou para os jovens que nem tudo é festa ou balada. Que eles podem sobreviver muito bem sem ter que estar saindo para beber como se não houvesse o amanhã.

Para os namorados mais recentes, aqueles que ainda moram em casas diferentes, pode ser muito difícil ficar tanto tempo longe um do outro, mas serve perfeitamente para saber se aquele relacionamento é o que realmente desejam. Estão tendo tempo suficiente para pensar, analisar a situação e decidir se querem continuar juntos ou não.

Duas coisas me preocupam muito: a situação do pessoal da saúde que está no “front” desta batalha, se expondo a riscos muito sérios e ficando longe de suas famílias. O outro grupo que me preocupa é formado pelos trabalhadores (formais ou informais) que perderam suas fontes de sustento. O número de brasileiros que estão abaixo da linha da pobreza ainda vai aumentar muito.

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