27/10/2020 _Commodities
Commodities

Commodities são produtos utilizados principalmente como matéria prima (materiais primários), produzidos em larga escala e com elevados índices de negociações internacionais. Por exemplo, os principais commodities brasileiros são: café, petróleo, soja, minério de ferro, ouro, arroz, trigo, algodão e borracha.

As Bolsas de Valores do mundo inteiro são as principais reguladoras dos preços de commodities, mas não são elas que determinam estes preços, isto é feito pelo próprio mercado. Lembra da famosa lei da oferta e demanda? Funciona assim: se uma determinada commodity tem mais quantidade disponível do que compradores interessados, o preço cai, mas se tiver quantidade inferior à que os compradores querem, o preço sobe. 

É claro que alguns governos podem tentar interferir nisso comprando ou ofertando mais, mas nem sempre essas ações funcionam como o esperado. Neste mês de outubro, o governo brasileiro resolveu suspender as taxas de importação do milho e da soja. Uma medida que acabou sendo inócua, já que os importadores pagarão lá fora, praticamente, o mesmo preço que pagariam no mercado interno . 

Em 1929, por exemplo, o preço do café no mercado internacional caiu a um preço inferior aos custos de produção. O presidente da época determinou que os produtores queimassem todo o café estocado, porém dois outros fatores não foram considerados: o primeiro era o fato dos estoques internacionais do café estavam muito elevados; e o segundo foi a quebra da bolsa americana em outubro do mesmo ano. Resultando em efeito algum sobre os preços internacionais do café.

Outro dia um amigo estava questionando os preços elevados do arroz, então vamos conhecer um pouquinho sobre o mercado desse cereal. A bolsa que regula o mercado internacional de arroz é a de Chicago. Segundo o site Vetagro, os preços internacionais do arroz alcançaram o maior valor dos últimos vinte anos. Isso explica os elevados preços praticados no mercado interno brasileiro e o governo não tem nenhuma participação nisto. Nesse caso, os produtores, atravessadores, beneficiadores e exportadores, acabam interferindo mais nos preços do que o governo em si.

O Brasil é o oitavo maior exportador de arroz e sua produção é praticamente insignificante quando comparada a dos países asiáticos como a China, Índia, Vietnã, Bangladesh, Tailândia, Mianmar e outros que são responsáveis por praticamente três quartos da produção mundial. Curiosamente, o maior produtor mundial de arroz (China), também é o maior importador do cereal, seguida por Nigéria, Filipinas, Irã e Indonésia.

No último mês de abril, a Embrapa estimou a produção de arroz para 2020 no Brasil em 10,5 milhões de toneladas e pouco mais de 10% seriam destinados para exportação.

Por todas essas informações, eu não acredito que a China ou o governo brasileiro sejam os responsáveis pelos atuais preços do arroz no mercado interno, como é comum de se ouvir em conversas. Temos que considerar um grande número de fatores que podem influenciar no alto custo do arroz para os brasileiros, a começar pela supervalorização do dólar americano.

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